A importância estratégica de uma boa redação científica em Português

O ideal é que os pesquisadores brasileiros saibam redigir em Inglês. No mínimo, seus manuscritos devem ter uma boa redação científica* em Português. Este é um bom ponto de partida para que esses pesquisadores possam publicar seus achados, e seus artigos possam ser lidos e citados. No entanto, infelizmente parece que não há tempo para treinar redação na Universidade.

De fato, a redação dos manuscritos tem sido tratada de maneiras diferentes. Alguns redigem e perguntam aos colegas se a sua redação está boa. Outros buscam colaboradores internacionais (que absorvem essa parte do trabalho) ou então pedem ajuda profissional. Há aqueles que publicam porque a universidade exige, ao passo que outros publicam porque buscam reconhecimento no cenário internacional. Alguns cuidam pessoalmente da contratação do revisor/tradutor. Outros atribuem essa tarefa aos estudantes, que acabam escolhendo o que é melhor para o manuscrito (!). De qualquer modo, um paper é não só um registro escrito da produção intelectual, mas também da maturidade científica de um grupo de cientistas, que deram o melhor de si (inclusive na redação) em um dado momento de sua trajetória.

Vale a pena lembrar que uma boa redação em Português ou Inglês é o mínimo que se pode esperar de um manuscrito a ser publicado. Afinal, se a redação (que é a parte mais simples do projeto) mostra descuidos, pode-se supor que outros descuidos podem ter ocorrido em etapas cruciais do trabalho. Se um manuscrito é aceito para publicação (sendo depois traduzido) nessas condições, podemos supor que os referees não foram suficientemente rigorosos, o que é uma pena. Como estamos falando de uma boa redação científica, é oportuno apontar algumas intervenções frequentemente necessárias à boa qualidade do manuscrito. Na Bridge, essas intervenções (v. lista abaixo) são incluídas nos manuscritos de nossos clientes como parte da edição científica:

  1. reorganização do texto para maior clareza e concisão (incluindo correção ortográfica, gramatical e de pontuação),
  2. substituição de termos ambíguos e eliminação de palavras desnecessárias,
  3. substituição de certos termos (que podem não ser incorretos, mas indicam juventude científica do autor) por outros, típicos de cientistas maduros,
  4. uso do estilo de redação científica (que os verdadeiramente iniciados na Ciência sabem reconhecer), bem como
  5. melhor apresentação dos resultados experimentais em gráficos e tabelas (incluindo unidades, algarismos significativos e propagação de erros).

Poderíamos aumentar o número dos itens acima, mas eles são suficientes para indicar que estamos falando sobre o modo de redigir (estilo da redação). Pode parecer incrível para alguns mas, depois dessas e outras intervenções (às vezes a cada 2-3 linhas), o conteúdo do manuscrito permanece inalterado (nossos clientes são testemunhas disso), e as nossas sugestões, quando aceitas (e incluídas no texto), fazem muita diferença para o leitor.

Cerca de 80% das nossas sugestões são geralmente aceitas pelos nossos clientes. As taxas de aceitação mais baixas (70%) são de clientes cujos manuscritos já foram aceitos para publicação em Português (alguns deles temem que a redação em Inglês fique muito diferente da redação original e, assim, ambos manuscritos possam ser rejeitados pelo editor-chefe). Na verdade, como o idioma Inglês é mais sintético, a versão em Inglês é que deveria ser usada como referência para reavaliar a clareza e a concisão da versão em Português.

Com a inclusão dessas sugestões no texto, nossos clientes se sentem mais à vontade para submeter seus manuscritos em Inglês. Por sua vez, os referees, tendo em mãos um manuscrito redigido desse modo, podem se concentrar no seu papel mais importante, que é julgar o conteúdo e a novidade do texto.

Tomando como referência a qualidade da redação dos artigos publicados nas revistas científicas mais exigentes, há um espaço a ser conquistado por aquelas que aceitam redação jornalística (ou equivalente, ainda que boa) como sendo redação científica. Portanto, há um custo adicional a ser pago, se elas pretendem dar mais de si na busca de maiores índices de citação. Não se alcança qualidade e reconhecimento sem sacrifícios.

Neste cenário, diante da importância estratégica de uma boa redação científica em Português, voltamos a enfatizar a importância de bons serviços de revisão científica em Português. Além disso, se os referees forem rigorosos com a qualidade da redação científica em Português, acreditamos que todos sairão ganhando: 

os autores (que serão vistos de outro modo),
os referees (que terão menor interferência da redação na análise do conteúdo),
os tradutores (que não precisarão “brigar” com os textos dos manuscritos),
os estudantes de pós-graduação (que terão melhores modelos de redação científica),
as revistas (que poderão ter índices mais elevados) e
os leitores (que têm o poder de citar ou não os artigos que eles consultam)

* Há bons livros publicados por cientistas internacionais sobre redação científica (p. ex., Writing Scientific English, de Tim Skern; http://www.utb-shop.de/themenseite/englischsprachige-titel.html?p=2). Entretanto, ressaltamos os livros em Português (https://www.bestwriting.com.br/home/) do Dr Gilson L Volpato, um pesquisador brasileiro de nível internacional que, a mais de 25 anos, tem dedicado parte do seu tempo de trabalho para divulgar a boa redação científica. 

Este item foi atualizado em 24 jun 2016.